Capítulo 25: Matteo Bianchi

1310 Words
Ela tentou afastar a mão, mas eu segurei firme. Não para prendê-la, mas para mostrar que não iria a lugar algum. Não quando ela parecia tão frágil e ao mesmo tempo tão determinada a se diminuir. "Você não entende, Stella," murmurei. "Entender o quê?" Ela inclinou a cabeça, o olhar cheio de uma mistura de desafio e dúvida. "Você me conhece há poucos dias, Matteo. Poucos dias. E, ainda assim, você me acolhe na sua casa, insiste em me ajudar com uma gravidez que nem é sua responsabilidade..." Ela balançou a cabeça, como se tentasse entender as próprias palavras. "Isso é uma loucura." "Talvez seja," admiti, a voz baixa, mas carregada de sinceridade. Ela continuou me olhando, seus olhos escuros faiscando, como se desafiasse minha resposta. Eu deveria ter recuado, deveria ter dito algo mais racional, mas em vez disso, me inclinei. Apenas um pouco, o suficiente para que nossos rostos estivessem a poucos centímetros de distância. "Minha vida inteira foi uma loucura, Stella," confessei, segurando o queixo dela com delicadeza, meus dedos roçando sua pele quente. "Mas você... Você é a melhor de todas." Ela arfou, o som quase imperceptível, mas próximo o bastante para me desarmar completamente. Sua respiração ficou irregular, e o olhar dela se fixou nos meus lábios por um instante antes de voltar para meus olhos. — Matteo... — Você entrou na minha vida do nada. — continuei, incapaz de parar, as palavras saindo como uma confissão que eu não sabia que precisava fazer. — Eu estava prestes a aceitar que minha vida seria sempre a mesma coisa, sem surpresas, sem emoção. E então você apareceu naquele elevador... contando moedas, como se fosse o dia mais normal do mundo. Mas você não é normal, Stella. Você é tudo menos isso. Ela ficou imóvel, os olhos fixos nos meus, como se procurasse algo — talvez a verdade nas minhas palavras, talvez uma desculpa para fugir. Minha mão subiu para segurar seu rosto, os dedos acariciando a linha de sua mandíbula. O desejo de saber o sabor daqueles lábios me consumia. Eu sabia que deveria me afastar, dar espaço, mas não consegui. — Isso é uma má ideia. — ela sussurrou, mas não se moveu. — Talvez seja. — concordei, a voz rouca. — Mas as melhores coisas da vida geralmente começam assim. Ela fechou os olhos, os lábios entreabertos, a respiração ainda mais irregular. Por um instante, eu quase me inclinei o suficiente para encurtar a distância entre nós, para acabar com aquela tortura. Quase. Eu estava tão perto que conseguia sentir o calor dela, o perfume suave que sempre me fazia esquecer onde eu estava. Seus olhos estavam fechados, mas eu sabia que, se ela os abrisse, eu me perderia neles novamente. Aqueles olhos castanhos e profundos, tão cheios de vida e, ao mesmo tempo, carregados de inseguranças que ela escondia atrás de suas palavras afiadas e da energia que parecia nunca acabar. Como ela podia se sentir inferior? Como podia acreditar, nem por um segundo, que não era suficiente? Meu olhar percorreu cada detalhe do rosto dela, memorizando o que já estava gravado na minha mente. O cabelo escuro e brilhante caía suavemente pelos ombros, com a franja delicada emoldurando o rosto pequeno. Havia algo tão único nela — as sardas espalhadas pelas bochechas que se destacavam ainda mais quando ela corava, os lábios cheios que pareciam sempre prestes a formar um sorriso ou um comentário sarcástico. Ela era tão bonita que chegava a doer. Não uma beleza óbvia, daquelas que gritam por atenção, mas algo mais sutil, mais real. Uma beleza que te prende e te faz querer olhar de novo, mesmo depois de já ter decorado cada pedaço dela. E eu tinha decorado. — Você não faz ideia, faz? — murmurei, quase sem perceber. Os olhos dela se abriram lentamente, encontrando os meus, e, por um momento, eu senti que ela podia ver dentro de mim da mesma forma que eu a enxergava. — Ideia do quê? — ela perguntou, a voz suave, quase hesitante. — Do quanto você é linda. — respondi sem pensar. Minha voz saiu mais grave do que eu pretendia, mas não havia como voltar atrás agora. — Do quanto você é... fascinante. O rubor que tomou conta de suas bochechas me fez sorrir. Ela desviou o olhar, mas não tentou se afastar. — Você não precisa dizer isso. — ela disse baixinho, quase como se estivesse tentando se convencer. — Eu não digo nada que não seja verdade, Stella. — Minha mão ainda segurava o rosto dela, meus dedos deslizando suavemente pela linha da mandíbula. — E você precisa parar de se comparar com ideias ridículas de 'nível'. Eu não sei onde você aprendeu isso, mas, se acha que eu poderia olhar para você e não ver o quanto é incrível... então você não me conhece nem um pouco. Ela piscou, surpresa, como se minhas palavras a desarmassem. Eu sabia que estava arriscando muito, mas não conseguia parar. Não com ela tão perto, tão vulnerável, e ainda assim tão forte. Stella permaneceu em silêncio por alguns instantes, mas o jeito como ela mordia o lábio inferior denunciava que sua mente estava fervilhando. Finalmente, ela sussurrou, quase como se estivesse falando para si mesma: — Eu não tenho nada para oferecer a você, Matteo. Minhas sobrancelhas se uniram em uma expressão de pura incredulidade. — Nada para oferecer? — repeti, minha voz soando mais intensa do que eu pretendia. Ela olhou para mim, os olhos castanhos brilhando com uma mistura de frustração e insegurança. — Você sabe que é verdade. Olha pra você. Você tem tudo, Matteo. Dinheiro, status, uma vida que qualquer um invejaria. O que eu poderia te dar que você já não tenha? Eu soltei uma risada curta, sem humor, enquanto sacudia a cabeça. — Stella, você acha que eu preciso de algo material? Eu já tenho tudo isso, e, honestamente, não significa nada. Ela ficou imóvel, surpresa com a minha resposta, mas eu continuei antes que ela pudesse dizer algo. — Talvez o que eu precise seja da sua teimosia. — falei, a voz mais suave agora. —, ou da sua curiosidade incessante, do jeito que você vê o mundo de uma maneira que ninguém mais vê. Talvez eu precise de você me desafiando a cada segundo, me irritando e, ao mesmo tempo, me fazendo sorrir como ninguém mais consegue. Os olhos dela se arregalaram levemente, e sua respiração ficou um pouco mais pesada. Eu estava tão perto agora que podia ver cada sarda em suas bochechas, o leve tremor dos cílios. Sem pensar, inclinei-me e deixei meus lábios roçarem levemente pela curva da bochecha dela. A pele dela era tão macia que fez meu coração disparar, e o calor que emanava entre nós era quase palpável. Stella suspirou baixinho, e antes que eu percebesse, as mãos dela subiram pelos meus braços, seus dedos traçando um caminho lento e hesitante que parecia incendiar minha pele. O momento entre nós parecia congelado, cheio de possibilidades. Meu nariz deslizou para o canto da boca dela, meu corpo todo em alerta, esperando, desejando. Mas, no último segundo, ela virou o rosto. Eu congelei, meus olhos se fechando enquanto tentava controlar a onda de frustração e o peso do que quase aconteceu. Soltei um suspiro baixo e me afastei lentamente, soltando o rosto dela com cuidado, como se ela pudesse quebrar. — Me desculpe. — murmurei, minha voz rouca. Ela não respondeu, apenas ficou ali, os olhos ainda abaixados, os lábios entreabertos como se quisesse dizer algo, mas não soubesse o que. A distância entre nós agora parecia maior do que nunca, mas eu sabia que precisava dar espaço para ela, mesmo que tudo dentro de mim gritasse para fazer o contrário. Eu me contive e desejei apagar tudo enquanto a observava seguir para o seu quarto.
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