A porta pesada do escritório rangeu levemente quando a empurrei. O cômodo estava iluminado apenas por uma luminária sobre a mesa antiga de nogueira e pelo fogo baixo na lareira, projetando sombras dançantes pelas paredes de pedra. O cheiro característico de couro, tabaco e vinho envelhecido preenchia o ar. Era um ambiente construído para conversas sérias — e eu sabia que não teria sido chamado se não fosse grave. Pietro estava sentado na poltrona de couro marrom, costas retas, postura impecável, o olhar firme sobre mim assim que entrei. Ao lado dele, o conselheiro da família, Salvatore, um homem silencioso, de expressão permanente de julgamento. — Matteo, — meu tio cumprimentou, levantando-se. — Zio. — aproximei-me e o abracei brevemente, o suficiente para manter o respeito hierárquico.

