O corredor do hospital ainda tem aquele cheiro que detesto — mistura de desinfetante, metal e lembranças que nunca consegui apagar. Cada passo que dou até o quarto parece um desafio, mesmo depois de ouvir da médica que Stella está fora de perigo. Tenho as chaves na mão, as da propriedade em Chianti que o tio Pietro providenciou. Um lugar isolado, silencioso, cercado de vinhedos e árvores centenárias. Exatamente o que ela precisa. Exatamente o que eu preciso, também — paz. Mas, ao empurrar a porta do quarto, sou recebido por algo que há dias não via: o som da risada dela. Stella está sentada na cama, os cabelos soltos caindo pelos ombros, o rosto ainda pálido, mas com um brilho novo nos olhos. Ao lado dela, Fiorella fala animadamente, gesticulando como sempre fez, as duas parecendo velha

