A luz que entrava pelas frestas da cortina era suave, dourada, o tipo de luz que só o amanhecer na Toscana sabia oferecer. Por um instante, pensei que o mundo inteiro tivesse parado ali, naquela suíte antiga da casa de campo da minha família. O fogo da lareira ainda crepitava baixinho, e o ar tinha o cheiro de lenha e pele — o cheiro dela. Stella dormia ao meu lado, os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto tranquilo. A mão dela repousava sobre a barriga, num gesto protetor que eu já havia se acostumado a ver nos últimos meses. Por um momento, deixei que a paz me invadisse. Eu podia jurar que nada jamais nos tocaria ali. Mas a vida tem um jeito c***l de testar aquilo que a gente ama. A primeira coisa que ouvi foi o som dela respirando fundo — um som estranho, entrecortado. Virei-m

